Boa tarde crianças! Como este terreno infértil continua abandonado, vou escrever algo sério dessa vez. E sobre política. Uma análise política ainda por cima. Então, já digo, se não se interessa, melhor nem ler:-) Mas quem ler eu dou uma bala de goma! PROMETO!
Não poso afirmar que este assunto tenha ultrapassado os limites do Rio Grande, mas tenho acompanhado diariamente no diário bovino, vulgo Zero Hora, as briguinhas do PT gaúcho com o Berzoini, presidente da sigla, e José Dirceu, um dos vários safados da silga. A origem do problema está na decisão do PT nacional de querer o apoio do maior e mais correto (cof cof cof) partido do país, o adimirável PMDB, para a eleição da insonsa Dilma Roussef para a presidencia em 2010 (ano que vem tem eleições, sabe?).

Me ame!
Tarso Genro, atual ministro da justiça, lançou sua pré-candidatura ao governo do estado, algo que deixou a cúpula nacional do PT puta pois, como disse, eles querem que o PT se alie ao PMDB, cogitando fortemente a hipótese de até abrir mão de um candidato próprio. A grande questão fica por ser aqui no RS em que o PT tem seu grupo roots mais forte, com figuras como o próprio Tarso, Raul Pont e o eterno governador Olívio Dutra, que refutam a idéia de fazer aliança com o PMDB por três motivos básicos:
- os dois partidos nunca se bicaram por aqui. Inclusive em 2004 o PT perdeu a prefeitura de Poa, algo que não ocorria desde a redemocratização, para quem? Um candidato do PMDB;
- o PMDB é forte apoiador do atual e desastroso governdo de Yeda Crusius do PSDB; c) Pedro Simon, uma das poucas vozes distoantes, porém caducas e antiquadas, do PMDB já declarou guerra contra o PT para as eleições de 2010.
Explico tudo isso pois a rusga entre PT gaucho x PT nacional chegou a delcarações já passando do aceitável, como Tarso querendo desculpas formais de Berzoini por ter criticado o PT gaucho, e Berzoini dizendo que este era mais um pedido ridiculo de Tarso. Temos que analisar que o PT é um partido morto. Não parece né? Mas tá. O PT tem aberto mão de diversas candidaturas em troca do apoio de outros partidos, estando atualmente com quase nenhum petista no comando de estados e cidades importantes. O que restou a eles, e de propósito, é a presidência. Se manter por lá enquanto puderem. A gente sabe, o leite lá é melhor, enquanto eles gostarem de ficar mamando lá, não vão sair tão facilmente. Agora, quando sairem de Brasília, salve-se quem puder, o último apague a luz.
Porém, como disse, ele é um partido morto. Ao adotar, essas práticas resultou no primeiro grande golpe interno do partido, lá em 2003, que foi a expulsão de Heloísa Helena e Luciana Genro. A ala radical que foi alimentada pelo próprio PT não aguentou mais o desvirtuamento de valores, o que, por acaso, põe em cheque a candidatura do PT aqui no estado. Se o PT se alia ao PMDB gaucho, até abrindo mão de candidatura própria, pode chamar a caminhonete preta e arrumar o atestado de óbito. Se o Tarso se candidatar, vai ser dificil ganhar por duas razões:
- ele vai enfrentar sua filha nas eleições. Como o eleitor vai encarar um pai que viu sua filha ser expulsa de maneira vexatória de um partido que agora está em pedaços, concorrendo contra ela?
- o povo gaúcho é animal por natureza. Está na merda a quase duas décadas mas sempre disposta a apontar o erro dos outros e não os seus. Tarso concorreu e ganhou a prefeitura de Poa em 2000, mesmo com as alegações dos adversários que ele largaria a prefeitura em 2002 para concorrer ao governo. Ele foi seguro e disse que não, isso não aconteceria. Em 2002 Tarso abandona a prefeitura de Porto Alegre, concorre a governador, perde a eleição e dois anos depois o PT perde a prefeitura da capital gaúcha. Mas tudo bem, ele já havia achado um emprego no governo Lula.
Foi então que no meio da névoa vermelha, de esquerdistas perdidos, estudantes revoltados sem ter com quem se revoltar e centrais de trabalhadores felizes como nunca, surge a esperança! O PSOL. Bah.
Não me levem a mal, eu acho totalmente ligitima a existência e posição do PSOL, e não teria porquê pensar minimamente o contrário, mas existe algo nele que me deixa em profundo desgosto que é esse efeito, que ganhou forças de Golias no período “pós-PT”, do voto em branco. O PSOL não apóia nenhum candidato no segundo turno pois acredita, com razão, que não existe motivos para o apoio a um candidato que tu crê não ser o melhor e que tu acusa de não representar corretamente os interesses populares em qualquer um dos dois poderes. É uma atitude sensata e racional dos polítcos não apoiarem, mas acho um absurdo que seja seguido pelos partidários.
Explico. Em época de eleição o que mais se vê são propagandas revitalizando o discurso de que a população deve votar pois é um direito batalhado por diversas pessoas e que custou o sangue e a vida de muitas outras. Ok, não podia ser mais perfeito e correto. Mas, mas, mas, mas, por se tratar de um direito, se eu quiser, posso abrir mão desse meu direito. Se eu não quiser votar, não voto, correto? Errado. Não vote, e pagarás multa (irrisória de certa forma, mas vai ter que pagar, algum dia, talvez). Somos obrigados a votar, o que se justifica já que o brasileiro nunca foi muito familiarizado com a idéia de decidir seu próprio rumo. Tem que obrigar esses bando de bundas moles votarem se não ninguém vota, porra! E para quem não estiver de acordo, existe a possibilidade de votar nulo ou em branco.

Falando em nulo...
Voltamos ao PSOL. Com a credibilidade polítca já acabada por partidos como PSDB, PFL (o atual Democratas, mas a corja é a mesma. Nem o PSDB aguenta mais os caras), a ascensão e queda do PT e demais pequenos partidos vermes que surgem por aí, a solução dada pela “solução PSOL” é anular/votar em branco quando não existir candidatos do partido concorrendo. Essa idéia de votar em branco não é de origem do PSOL, claro, mas ficou mais forte com as vozes deste partido.
Agora, só um pouquinho, vamos recolher a lona e mandar os palhaços embora, não aguento mais esse circo. Abrir mão do voto não é mais uma forma de protesto, é uma forma de abstenção. Vem na minha cabeça até a palavra “covardia”, mas luto para não usa-la pois sei que não é o real motivo. Mas não me culpem por pensar assim, com nosso país afundando na lama a cada dia que passa, é mesmo o melhor a fazer? Só para poder dizer depois, ” ah, eu não ajudei a eleger esses caras”? Tirar o peso da consciência? Não importa, quem governe, ele governa para todos, para aqueles que o amam e para aqueles que o odeiam. Desistir do voto é lavar as mãos, tirar o seu da reta. Não importa os argumentos sociais que podem ser usados. Do que adianta tu ir protestar na frente do Planalto se tu não fez o mínimo para impedir que aquela pessoa fosse eleita? Fazer voto de protesto é muito bonito, especialmente no papel ou em algum lugar em que os governantes se preocupem com isso. Contudo, nenhum pouco efetivo na realidade, na nossa realidade.
Ao meu ver, somos obrigados a votar sim, mas não porque é lei, mas porque felizmente, ou infelizmente, somente nós podemos mudar alguma coisa, e não existe outra maneira se não pelo voto. Revolução é alimento de utopia, protestos são paleativos*. Mudanças radicais só se a mídia ou alguma classe importante ($$$) quiser. Aos demais, temos que usar a nossa única arma, sendo ela eficiente ou não.

Será que vão mandar o Obama embora também ou ele é bonzinho?
Por isso que eu digo entender claramente a posição dos politicos que dizem não apoiar outros candidatos, mas não entendo o cidadão, o leitor, que lava as mãos, nem que seja para não votar no menos pior. Não existe solução milagrosa, a gente sabe disso, e enquanto partidos grandes e pequenos, de direita, centro, esquerda, diagonal ou transversal, continarem nesse mundo de utopia, de que tudo dura para sempre, que tudo vale a qualquer custo ou então de crer que a população vai virar um agente transformador, vamos continuar na mesma.
Da desavença no PT gaúcho ao cara que aperta os botões na urna, um ciclo que afeta a todos independente de tu ser gaucho, mineiro, paulista, regionalista ou nacionalista, de tu ter fé no Brasil ou já estar desacreditado. Estamos na mesma barca. Um racha que divide o partido que governa ao país passando por pessoas que abrem mão de seu voto.
Você, corajoso que leu até aqui, peço que entenda que eu não quis dizer o que cada um deve fazer da sua vida, apenas quis expor minha opinião sobre tudo isso e, agora sim, espero que tenha entendido a ligação entre os assuntos que tentei fazer. Entender que não vale tudo pela disputa do poder, não vale a pena se sujar, mas que tão pouco vale a pena sair ileso. Dessa vez não mandamos vocês, apena pedimos sua compreensão.
* Protestos ao meu ver são paleativos não por sua não-eficácia, mas sim por sua pouca adesão e estranheza que ainda geram. Porém, água mole em pedra dura…
André detesta o PMDB e não gosta nem desgosta de nenhum partido. Já votou no PSOL, PT, PV, PDT… aliás, sempre votou em candidatos, nunca em partido. Também não gosta quem desrespeita o bom senso, seja de esquerda, seja de direita, mas adora uma bela massa com almondegas e batatas fritas duas vezes à semana.